terça-feira, 31 de março de 2009

INFLAÇÃO 1994 A 1998


Inflação acumulada no Real
Embora o Plano Real tenha oficialmente iniciado em julho de 1994, com a entrada em vigor da nova moeda, as medidas econômicas que precederam a sua implantação tiveram efeitos nos preços de mercado que devem ser contempladas nesta análise. O anúncio das primeiras medidas a partir do início de 1994 e a indexação da economia, pela URV, em março resultou em impactos nos preços dos diversos setores da economia. Muitos aumentos, que ocorreram nos meses que precederam à entrada da nova moeda, tinham a característica de reajustes preventivos refletindo o receio de tabelamento e/ou congelamento de preços já ocorridos em outros planos econômicos. Dado esse comportamento preventivo, a análise dos preços no Plano Real, somente a partir de julho de 1994, fica prejudicada. Portanto, cabe neste estudo avaliar a inflação contemplando também o primeiro semestre 1994.




Índice Geral
A inflação no Real acumula uma taxa de 110,7%, porém, quando se considera o período que se estende de janeiro/94 a junho/98, o índice atinge 1.762,9%, sendo 784,0%, referentes ao primeiro semestre de 1994, 39,2%, no segundo de 1994, 27,4%, no ano de 1995, 9,9%, em 1996, 6,1%, em 1997 e 1,8% neste ano. Observam-se grandes diferenças nas taxas, não só entre os grupos do ICV-DIEESE, como também ao longo do tempo. Portanto, cabe uma análise por grupo no tempo e pelos diversos subgrupos do índice.




Educação e Leitura

Observa-se que no Real, este grupo acumula uma inflação de 227,0%. As taxas anuais foram sistematicamente superiores as do índice geral. O grande responsável pelo aumento foi a alta verificada nas mensalidades escolares ocorrida principalmente em 1995 e 1996. Para uma inflação de 27,4%, em 1995, as escolas reajustaram seus preços em 68,3%. Fenômeno semelhante ocorreu em 1997 quando contra uma inflação de 9,9%, as mensalidades aumentaram em 31,8%. A capacidade de indexação deste setor só pode ser justificada pela precariedade dos serviços públicos na área da educação.




Habitação

O índice da Habitação acumula no período uma taxa de 233,7%. Também neste grupo, o comportamento dos preços foi bem diferenciado, não só entre os seus subgrupos, como também ao longo do tempo. Os maiores aumentos foram verificados nos anos de 1995, 1996 e 1997 porém por razões diferentes. Em 1995 a taxa bastante elevada (65,5%) em relação a inflação corrente (27,4%) deve-se basicamente aos aumentos verificados nos aluguéis, impostos e condomínio, cuja taxa chegou a 142,3%. Nos anos de 1996 e 1997, os aumentos deste grupo tiveram como principal origem os reajustes na operação do domicílo, subgrupo composto, basicamente, pelos serviços públicos (telefonia, eletricidade e água/esgoto), que apresentou taxas de 25,2% e 24,0% frente a uma inflação corrente de 9,9% e 6,1% respectivamente.




Saúde
A taxa acumulada neste grupo é de 159,3%, sendo 188,2% no subgrupo assistência a saúde e 106,0% nos medicamentos e produtos farmacêuticos. Os grandes reajustes ocorridos na Saúde foram detectados em 1996 e 1997, com reajuste de 33,3% e 11,3% respectivamente. Em 1996 o subgrupo assistência a saúde apresentou uma taxa de 41,2% e os medicamentos e produtos farmacêuticos 16,0%. Em 1997, os aumentos dos subgrupos foram semelhantes com 12,5% nos medicamentos e 11,0% na assistência a saúde. Em 1998, o que chama a atenção são as elevações de preços dos remédios que já acumulam uma alta de 6,0% frente a uma inflação de 1,8%.




Transportes
O índice deste grupo no Real é de 98,3%, taxa esta menor devido principalmente ao transporte individual cujos preços foram majorados em 78,6% frente a uma taxa de 172,2% do transporte coletivo. O transporte público teve aumento acima da inflação nos anos de 1996 (22,3%), 1997 (11,0%) e 1998 (6,7%) frente as taxas de inflação de 9,9%, 6,1% e 1,8% respectivamente.




Alimentação
Este setor foi um dos que apresentou comportamento tipicamente preventivo na entrada do Real. No primeiro semestre de 1994, quando a inflação geral acumulava uma taxa de 784% este grupo registrou alta de 844%. No Real, este grupo apresentou inflação de 78,7%, sendo 113,5% na alimentação fora do domicílio, 97,6% nos produtos in-natura e semi-elaborados e 50,5% na indústria da alimentação. Em 1995, frente a uma inflação de 27,4% a taxa deste grupo foi de apenas 8,1%, com diferenças marcantes entre os seus subgrupos, com deflação de -4,4% nos produtos in-natura e semi-elaborados e uma elevação de 19,0% na alimentação fora do domicílio e 16,5% na indústria da alimentação. No ano seguinte, 1996, este comportamento se repetiu com uma taxa de 2,2% contrastando com uma inflação geral de 9,9%. A partir de 1997, já se nota um realinhamento das taxas deste grupo (4,3%) em relação ao índice geral (6,1%). Neste ano de 1998, este grupo é um dos responsáveis pela inflação acumulada de 1,8%, dado o aumento de 6,8% nos produtos in-natura e semi elaborados e de 3,8% nos da indústria da alimentação.




Equipamentos Domésticos
Este é um dos grupos que apresentou quedas mais expressivas no período do Real, acumulando uma inflação de 47,3%. As menores taxas foram detectadas a partir de 1996, com variações de 0,9%, -7,5% e -1,8% , frente a inflação geral de 9,9%, 6,1% e 1,8% respectivamente. As maiores quedas foram verificadas nos preços dos eletrodomésticos (32,3%) e rouparia (36,5%). O subgrupo de móveis foi o que mais teve aumento (102,0%).




Vestuário
A queda de preços dos produtos que compõem este grupo foi significante ao longo de todo o Real, acumulando a menor taxa no período (31,9%). Este comportamento refletiu-se tanto nas roupas (26,7%) como nos calçados (47,4%). Este setor não só é bastante concorrencial, como também sofreu forte concorrência dos importados.




Índice por Estrato
Os maiores reajustes de preço no Real ocorreram nos grupos Educação, Habitação e Saúde. Dada a estrutura dos gastos das famílias de maior poder aquisitivo - que dispendem proporcionalmente mais em Educação e Saúde, que os estratos de renda inferior - foi para o estrato 3 que o DIEESE apurou a maior taxa de inflacionária. (118,6%). Já as famílias de menor renda (estrato 1) foram as menos pressionadas pela inflação (103,5%), uma vez que o grande peso de seus gastos está na Alimentação, grupo que apresentou em 1995, 1996 e 1997 taxas inferiores ao do índice total. O estrato 2, apresentou taxa acumulada no Real quase igual a do estrato 1, 102,4%. Este resultado deve-se a semelhança da estrutura de despesas destes dois estratos de renda.


Fonte: http://www.dieese.org.br/rel/icv/icvjul98.xml

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