Depois de atribuir a um "equívoco" do contador a omissão de uma casa avaliada em R$ 4 milhões de sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi obrigado a se retratar pela segunda vez nesta sexta-feira (3). Desta vez, a casa não foi listada na relação patrimonial por "esquecimento", informou a assessoria do senador.
Na primeira nota emitida pela Secretaria de Imprensa do Senado, a justificativa para a ausência do imóvel era a de que, "por equívoco do contador, em 2006 foi apresentada à Justiça Eleitoral a mesma lista de bens de 1998".
A nota de mais cedo dizia que "o imóvel permaneceu em domínio de seu antigo proprietário, motivo pelo qual não foi incluído na declaração de Imposto de Renda de 1998 do senador [Sarney] e, por consequência, não foi informado à Justiça Eleitoral naquele ano".
Confrontados com os dados informados pelo próprio senador nas duas eleições e constatando que as declarações apresentavam diferenças, os assessores de Sarney foram obrigados a retificar a nota. "O erro cometido na declaração de bens do senador José Sarney à Justiça Eleitoral em 2006 não foi a repetição da lista de bens de 1998, mas sim a omissão da casa, por esquecimento, depois de feita a atualização patrimonial", explica o novo texto.
Na nota, Sarney volta a dizer que o imóvel foi informado nas declarações apresentadas à Receita Federal e ao Tribunal de Contas da União.
Reportagem do jornal “O Estado de S.Paulo” desta sexta revela que Sarney supostamente teria ocultado da Justiça Eleitoral uma casa avaliada em R$ 4 milhões na declaração de bens apresentadas nas eleições de 1998 e 2006. A residência, localizada na Península dos Ministros, área nobre do Lago Sul, em Brasília, foi adquirida por Sarney em 1997.
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sexta-feira, 3 de julho de 2009
sábado, 16 de maio de 2009
COM A ECONOMIA EM ORDEM O BRASIL ATRAI CAPITAL

Estável e com economia em ordem, Brasil atrai capital externo. Economistas alertam, no entanto, que cenário ainda é de volatilidade.
Para os brasileiros, o dólar tem estado barato como há tempos não se via. Esta semana, a moeda norte-americana atingiu o menor valor frente ao real em sete meses, chegando a ser vendido a R$ 2,059. Em dezembro, a cotação chegou a alcançar R$ 2,60.
Mais do que uma boa notícia para quem pretende viajar ao exterior, a queda do dólar é um sinal do bom desempenho – ao menos comparativamente - da economia brasileira, em meio à mais grave crise mundial em décadas.
Com as grandes economias do mundo patinando, o Brasil, durante muito tempo “esnobado” pelo capital estrangeiro, vive uma situação peculiar. Estável e sofrendo efeitos até agora contidos da crise, inclusive com alguns sinais de recuperação, o país se tornou um dos destinos preferenciais desses recursos. E quanto mais dólares no país, mais barato ele se torna, seguindo a velha e imutável lei da oferta e da procura.
“O cenário lá fora está muito ruim. Na economia dos Estados Unidos o cenário é de recessão. Na Europa também, Espanha tem o maior desemprego em 30 anos, a Inglaterra também não esta em situação confortável. E o Brasil é o que se mostra em melhor situação depois da crise”, diz Cláudio Gonçalves, do Conselho Regional de Economia (Corecon).
“Os países estão verificando que emergentes ainda são saída para suas aplicações. Esse dinheiro chegando, precisa ser convertido em reais, então tem uma oferta muito grande de dólares”, explica o professor de economia Luiz Antonio Fernandes de Silva, das Faculdades Integradas Rio Branco.
Dados da Bovespa mostram que esses investimentos voltaram com força: entre 1º de janeiro e 30 de abril, o mercado de ações brasileiro “engordou” R$ 7,074 bilhões em recursos vindos do exterior. Em abril, o volume financeiro negociado atingiu R$ 97,19 bilhões, com alta de 9,2% sobre o resultado de março. Dados que ajudaram a Bovespa a subir cerca de 30% desde o início do ano.
O Brasil também se beneficia – ao menos nesse ponto – da alta taxa básica de juros. Isso porque, para incentivar atividade econômica, a maioria dos países desenvolvidos reduziu suas próprias taxas a patamares próximos a zero, tornando a Selic brasileira, hoje em 10,25%, bastante atrativa.
“Nos outros países, as taxas de juros estão muito baixas. Aqui, mesmo com a queda, continua muito alta, e faz com que tenha muitos capitais entrando aqui”, confirma o professor das Faculdades Rio Branco.
Mas não só dos investimentos externos vive a queda do dólar. Associada a isso, a balança comercial brasileira (diferença entre exportações e importações) acumulou um superávit de US$ 7,2 bilhões no ano até a primeira semana de maio. Dinheiro que também irriga a economia e aumenta a oferta de dólares por aqui.
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quinta-feira, 14 de maio de 2009
Agora, ele vai "se lixar" em outro lugar

O NOME DELE É: SÉRGIO MORAES
Apesar dos apelos por uma solução negociada, "sem vencedores e vencidos", e da tropa de choque de petebistas escalada para defender o companheiro de partido, o presidente do Conselho de Ética, José Carlos Araújo (PR-BA), destituiu ontem o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) da relatoria do processo contra o ex-corregedor da Câmara Edmar Moreira (sem partido-MG). Moraes, que disse se "lixar" para a opinião pública e não vê motivos para condenar Moreira, será substituído por Nazareno Fonteles (PT-PI). A substituição foi anunciada ao fim de quase três horas de uma tensa reunião .
O deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), novo relator no Conselho de Ética do caso Edmar Moreira (o homem do castelo), aprendeu com seu antecessor Sérgio Moraes .O petista diz que se importa com a opinião pública e promete trabalhar em silêncio, sem antecipar o que pensa do processo. Fonteles se esquivou de armadilhas e se poupou. “Não vou falar a minha posição porque é exatamente por isso que fui chamado. Vou ouvir quem for importante para esclarecer e vou apresentar o que penso por escrito e tornar público depois”, disse o novo relator.
Políticos muitas vezes são acusados de enganar as pessoas, de não dizer a verdade. Quanta injustiça!. Pelo menos um deputado federal, nos últimos dias, falou a verdade, a pura verdade, nada mais que a verdade. Trata-se de Sérgio Moraes, do PTB do Rio Grande do Sul. Num momento mais descontrolado, ele declarou aos jornalistas que "está se lixando para a opinião pública". Disse sim, depois, ainda confirmou e pediu desculpas.
Disse que sempre tem voto e que, na sua cidade, as decisões sobre quem vai ser vereador, prefeito ou coisa que o valha são feitas na mesa da sala de jantar. De modo que, quando aparecem acusações, escândalos, farras de passagens e casos de castelos milionários nos jornais e na TV, isso pode muito bem ser coisa "da opinião pública", mas não tira o seu sono.
Ele está se lixando. Sérgio Morais é o presidente do Conselho de Ética e foi encarregado de examinar o caso do seu colega Edmar Moreira, dono do famoso castelo no interior de Minas. Moreira é acusado de usar as verbas indenizatórias para pagar serviços de empresas dele mesmo.
A opinião pública acha estranho, mas Sérgio Morais está se lixando. Não é o único, no meio de tanto deputado federal e senador envolvido em coisas como a farra das passagens aéreas.
Falou a verdade. Morais se lixa, e a moral vai para o lixo.
terça-feira, 12 de maio de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
O CASTELO CAÍU - EDMAR MOREIRA (PFL,DEM)

BRASÍLIA - Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta quinta-feira, por unanimidade, abrir ação penal contra o deputado federal Edmar Moreira (PFL, DEM-MG) pela suposta autoria de crimes contra a ordem tributária e de apropriação indébita de contribuições previdenciárias dos funcionários de uma de suas empresas.
Os crimes teriam sido cometidos na gestão da F. Moreira Empresa de Segurança e Vigilância Ltda., quando o deputado deixou de repassar ao INSS as contribuições descontadas dos salários de seus empregados.
Edmar Moreira responde por quebra de decoro
A defesa alegava que os débitos previdenciários da empresa de Moreira foram regularmente parcelados, em 2000, por meio da adesão ao Programa de Recuperação Fiscal (Refis). A adesão acabaria com a possibilidade do parlamentar ser punido pelo não pagamento das contribuições. Mas os ministros entenderam que os indícios apontados na denúncia do Ministério Público Federal em Minas Gerais justificam o acolhimento pela Corte e o consequente desenrolar da ação penal.
Moreira ganhou notoriedade nacional no início deste ano, quando veio a público que ele era proprietário de um castelo no interior de Minas Gerais. O deputado omitia o castelo, avaliado entre R$ 20 e R$ 25 milhões, de sua declaração de Imposto de Renda. Moreira também responde a um processo no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar. Ele é suspeito de promover uso indevido da verba indenizatória, no valor de R# 15 mil, a que cada deputado tem direito mensalmente.
sexta-feira, 27 de março de 2009
O Deputado do Castelo - Edmar Moreira
Filho de um carteiro de Juiz de Fora e de uma professora primária, Edmar Moreira foi criado entre oito irmãos. Influenciado pelo pai, ingressou na Polícia Militar e chegou ao posto de capitão. Sua carreira militar foi interrompida por um episódio que escandalizou a sociedade juiz-forana. Em 1968, em uma festa de réveillon no Clube D. Pedro II, ao saber que um rapaz se havia engraçado com sua mulher, Moreira foi buscá-lo em casa. Ele obrigou o moço a entrar de pijama na festa, escoltado por policiais, e humilhou-o na frente de todos. Acusado de "abuso de autoridade", o capitão foi punido e afastado da ativa. Três anos depois, formou-se em direito pela
Universidade Federal de Juiz de Fora. Com o diploma na mala, mudou-se para São Paulo, onde fundou uma empresa na área de segurança. Começou a enriquecer. Hoje tem três companhias no ramo.
Segundo um dossiê elaborado por um desafeto seu e entregue anonimamente no ano passado à Polícia Federal e ao ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, o enriquecimento de Moreira foi turbinado por algumas falcatruas. O relatório garante que o ex-capitão não paga o FGTS de seus empregados e sonega imposto de renda, INSS e ISS. O dossiê revela ainda que suas empresas mantêm um endereço de fachada em Pilar do Sul, interior de São Paulo, para escapar da tributação da prefeitura paulistana.
Além do castelo, Edmar Moreira é dono de um apartamento tríplex no bairro de Higienópolis, em São Paulo, onde mora, de uma mansão no Guarujá, no litoral paulista, de outra em Coronel Pacheco, terra natal de Júlia, e de vários imóveis em Juiz de Fora. Nenhum dos imóveis, porém, é motivo de tanto orgulho e zelo por parte do deputado quanto seu castelo. O deputado não permite sequer que o fotografem.
Os incautos que se aproximam para usar o monumento como pano de fundo de fotos de debutantes e noivas são expulsos das cercanias pelos seguranças e, com freqüência, têm os filmes confiscados. Quer dizer, na arquitetura o ex-PM Moreira se imagina um príncipe. No comportamento, age como coronel do sertão.
Fonte: Revista Veja 25/08/99
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