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terça-feira, 25 de maio de 2010

PETROBRAS DESCOBRE DUAS NOVAS RESERVAS DE PETRÓLEO NA BACIA DE CAMPOS




A Petrobras comunicou nesta terça-feira (25) a descoberta de duas novas acumulações de óleo leve em reservatórios do pós e do pré-sal na Bacia de Campos.




As primeiras estimativas apontam para a existência de até 105 milhões de barris de óleo equivalente nos dois reservatórios. Segundo a companhia, o volume pode ser ampliado para até 360 milhões de barris, caso os trabalhos exploratórios confirmem uma ligação entre Carimbé e outra descoberta feita recentemente na área e anunciada no fim de fevereiro.



Segundo a empresa, o óleo de Carimbé é leve, com 29º API. A empresa pretende fazer um teste de produtividade na região e estuda ligar o poço à plataforma P-48, já instalada na concessão.



As duas descobertas ocorreram após perfuração do poço conhecido como Carimbé (6-CRT-43-RJS), que está localizado no campo de Caratinga, a cerca de 106 quilômetros da costa do estado do Rio de Janeiro.



A empresa informa que estão previstos testes para avaliar a produtividade dos novos reservatórios, assim como a análise da interligação do poço à plataforma P-48, atualmente em operação no campo de Caratinga.



Com informações da Agência Estado e do Valor Online

sexta-feira, 23 de abril de 2010

EMPERSA BRASILEIRA GANHA 7 POSIÇÕES

Petrobras ganha sete posições na lista das maiores empresas do mundo Ranking dos cem primeiros ainda tem Bradesco, Banco do Brasil, Vale e Itaúsa.



A Petrobras passou da 25ª para a 18ª posição no ranking das maiores empresas da revista americana Forbes. A petroleira é a companhia brasileira mais bem colocada da lista, liderada pelo banco JPMorgan. A relação leva em conta, em dólar, os lucros, as vendas, os ativos e o valor do mercado e tem 2.000 empresas.



Avaliada em R$334,7 bilhões (US$ 190 bilhões), a petroleira brasileira aparece atrás de concorrentes mundiais como a americana ExxonMobil (4ª do ranking), da holandesa Royal Dutch Shell (9ª), da britânica BP (10ª), da chinesa PetroChina (12ª) e da russa Gazprom (16ª). Por outro lado, a Petrobras figura à frente da francesa Total (19ª do ranking) e da americana Chevron (20ª).



Entre as cem primeiras corporações, o Bradesco é a segunda empresa brasileira no ranking – aparece na 50ª posição, contra a 78ª posição da lista do ano passado.



Um degrau abaixo está o Banco do Brasil, na 51ª posição. A Vale do Rio Doce, que ficara no 74º lugar na lista passada, figura na 80ª posição, enquanto o Itaúsa está na 82ª colocação.



No topo do ranking, o JPMorgan Chase ultrapassou a General Electric, líder no ano passado, e alcançou o primeiro lugar. O número de companhias brasileiras entre as 2.000 maiores empresas do mundo, segundo a Forbes, passou de 31, em 2009, para 33 em 2010.



Confira a lista das dez maiores empresas do mundo:



1 - JPMorgan Chase (EUA)

2 - General Electric (EUA)

3 - Bank of America (EUA)

4 - ExxonMobil (EUA)

5 - ICBC (China)

6 - Santander (Espanha)

7 - Wells Fargo (EUA)

8 - HSBC (Reino Unido)

9 - Royal Dutch Shell (Holanda)

10 - BP (British Petroleum) (Reino Unido)



Confira as melhores empresas brasileiras e suas posições do ranking:



18ª - Petrobras

51ª - Banco Bradesco

52ª - Banco do Brasil

80ª - Vale

82ª - Itaúsa Brazil

235ª - Eletrobrás

478ª - CSN

620ª - Usiminas

658ª - Tele Norte Leste

698ª - JBS

701ª - CBD

732ª - Metalurgica Gerdau

782ª - Cemig

864ª - CPFL Energia

919ª - Braskem

930ª - BM&F Bovespa

942ª - Redecard

953ª - BRF-Brasil Foods

980ª - Fibria Celulose

1.102ª - Cielo Brazil

1.190ª - Ultrapar Participacoes

1.316ª - Sabesp-Saneamento Basico

1.335ª - Bradespar

1.380ª - CCR

1.399ª - Natura Cosmeticos

1.432ª - Banrisul

1.461ª - OGX

1.472ª - Copel

1.486ª - Embraer Brazil

1.648ª - WEG

1.680ª - Net Serviços

1.705ª - Fosfertil

1.813ª - Sul America

Fonte: Do R7, com Agência Estado.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Em Recife Protesto Contra CPI do PSDB



Políticos do PT e do PDT, dirigentes da CUT e de ONGs fizeram ontem, em frente à Câmara de Vereadores de Recife, ato de desagravo à Petrobras e contra da Petrobrax do PSDB. Os manifestantes estiveram no plenário e, depois, puseram na rua, em frente à Câmara, um barril preto simbolizando o petróleo da estatal. Também espalharam faixas com críticas à oposição: “Os tucanos e demais setores conservadores da política não querem que a Petrobras explore nosso petróleo, que é nosso patrimônio” e “Não queremos que o Brasil pare, basta de ataque à Petrobras”. Da manifestação participaram três petistas — Fernando Ferro, Pedro Eugênio e Maurício Rands — e um pedetista — Paulo Rubem Santiago.


Ferro disse que o maior objetivo da oposição ao instalar a CPI é criar constrangimento político para a ministra Dilma Rousseff, possível candidata do partido à sucessão do presidente Lula. “Não vamos permitir que a maior estatal do país seja transformada em instrumento político, rasteiro, mesquinho, antipatriótico e antibrasileiro”, afirmou.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

CUT e FUP protestam contra CPI da PetrobraX

Entidades sindicais divulgam nota conjunta conta a CPI Petrobrax. Leia a íntegra nota:

Trabalhadores brasileiros vêem com apreensão a possibilidade de paralisação da Petrobrás, maior empresa brasileira

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação Única dos Petroleiros (FUP) manifestam sua preocupação com a insistência da oposição em tentar paralisar a Petrobrás, empresa que responde por mais de 10% do PIB nacional e por quase 60% dos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

De forma irresponsável, o PSDB – mesmo partido que durante oito anos tentou sucatear e privatizar a Petrobrás, propondo, inclusive, mudar o nome da empresa para Petrobrax – quer inviabilizar alguns dos maiores investimentos do país, através de uma CPI que tem o claro intuito de desestabilizar a principal ferramenta do Brasil de combate à crise.

Querem paralisar a Petrobrás, desconstruindo sua imagem de empresa sólida, para retardar o máximo possível a exploração do pré-sal. Por trás da CPI proposta pelo PSDB, está também a intenção da oposição em dificultar ou impedir mudanças na legislação do setor petróleo, beneficiando as multinacionais com as atuais regras.

A Petrobrás é fundamental para o crescimento do país, movimentando a economia, gerando empregos e fazendo do Brasil uma potência mundial na produção de petróleo e gás e no desenvolvimento de tecnologias de ponta. Os trabalhadores brasileiros não permitirão que essa empresa, que tanto orgulha a nação, seja prejudicada e utilizada politicamente pela oposição para inviabilizar os principais investimentos do país.


Artur Henrique
Presidente Nacional da CUT

João Antônio de Moraes
Coordenador da FUP

CPI da PETROBRAS; ENTENDA O PORQUE !!!


"O PSDB não gosta da Petrobras. Nem do Brasil"

Em entrevista concedida ao Correio da Cidadania, em janeiro deste ano, o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras, Fernando Siqueira, alertava para uma nova campanha de desmoralização da empresa diante do público. Entre outras coisas, ele recorda que a gestão do PSDB governando o país foi responsável pela quebra do monopólio do petróleo, pela venda de 36% das ações da Petrobrás na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real. Para Siqueira, o governo depende da participação popular para defender o nosso petróleo.

Gabriel Brito e Valéria Nader - Correio da Cidadania


Maior e talvez mais emblemática empresa brasileira, a Petrobrás começa 2009 da mesma maneira que terminara 2008, isto é, no centro dos mais importantes, e acalorados, debates nacionais. Acusações de má gestão, empréstimos questionados, pesadíssimo jogo de influência nos corredores políticos em torno do marco regulatório petroleiro foram todos pontos respondidos por Fernando Siqueira, novo presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás), em entrevista concedida ao Correio da Cidadania.

Explicando serem de rotina os empréstimos tomados no final do ano passado, Siqueira alerta para uma nova campanha de desmoralização da empresa diante do público, o que seria estratégico para os setores interessados na manutenção do atual marco regulatório do petróleo.

No entanto, não referenda completamente a gestão da empresa, como, por exemplo, no que se refere à situação de alguns funcionários, especialmente terceirizados, que trabalham sob condições precárias (foram 15 mortes em 2008). Tal deterioração de sua infraestrutura, aliás, poderia não ser mera coincidência em meio às descobertas do pré-sal e à grande interrogação nacional sobre quem exercerá o controle dessa fortuna não renovável.

Correio da Cidadania: No último mês de 2008, vieram a público informações a respeito de empréstimos que a Petrobrás vem tomando da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Os comentários acerca do tema são exageros e tais operações podem ser consideradas rotina de uma empresa de tal porte. Ou será que há sinais de que a estatal estaria passando por dificuldades em suas contas?

Fernando Siqueira: A meu ver, todo este estardalhaço do noticiário faz parte de uma nova campanha de descrédito da Petrobrás perante a opinião pública, visando a desacreditá-la como capaz de desenvolver a produção do pré-sal, uma descoberta monumental, que tem reservas seis vezes maiores que as existentes até hoje. Já vimos esse filme...

Em 1995, houve forte participação da mídia na defesa da quebra do Monopólio Estatal do Petróleo. Foi montada uma campanha sórdida na mídia contra as estatais em geral e a Petrobrás em especial. A Veja, por exemplo, na ocasião fez uma matéria de dez páginas atacando a empresa com informações absurdamente falaciosas e não respeitou o direito de resposta nem mesmo como matéria paga, desrespeitando o artigo 5º da Constituição.

No caso presente, essas operações financeiras são feitas como de rotina, mas receberam um destaque na mídia muito maior do que, por exemplo, o caso da americana AES, que na privatização adquiriu a Eletropaulo com dinheiro do BNDES, remeteu lucro para o exterior e não pagou a dívida com o Banco.

Portanto, é uma operação de rotina da Petrobrás usada como pretexto para uma nova campanha da grande mídia que faz o jogo dos seus anunciantes, ou seja, as corporações multinacionais.

Outro fato: em 1999, FHC substituiu seis diretores da Petrobrás no Conselho de Administração (CA) por seis conselheiros do setor privado, alguns representantes do sistema financeiro internacional, ficando o CA com nove membros externos. Este CA decidiu por uma economia forçada na empresa, cortando promoções e até despesas com papel higiênico. Objetivo: tentar mostrar ao povo que a empresa está com dificuldades financeiras e não pode conduzir o pré-sal.

CC: A partir dos empréstimos, começou a se aventar que na verdade o problema da Petrobrás é administrativo, pois foram anos colhendo grandes lucros, com importantes negócios inclusive fora do país. Esse raciocínio pode ser considerado válido?

FS: Eu não diria que a atual administração tem a competência ideal, pois além da permanência da maioria do segundo escalão do governo FHC, há alguns gerentes nomeados mais por militância do que por competência. Mas, ainda assim, ela consegue ser muito melhor do que as administrações de Reichstul e Francisco Gros.

Durante a gestão Reichstul, a Petrobrás teve 62 acidentes sérios em dois anos, contra uma série histórica de menos de um acidente grave por ano de 1975 a 1998. Este fato, inclusive, nos levou a suspeitar de sabotagem para jogar a opinião pública contra a Petrobrás. E, a partir de nossas denúncias, os acidentes cessaram. O objetivo era desmoralizar a empresa para desnacionalizá-la. Reichstul chegou a mudar seu nome para Petrobrax com esse objetivo. Ele também desmontou a equipe de planejamento estratégico da Petrobrás, entregando-o à empresa americana Arthur De Little, presidida por seu amigo Paulo Absten. E esta fez um planejamento catastrófico. Definiu a ida para o exterior e a compra de ativos podres na Bolívia, Argentina e Equador como problemas. Ele dividiu a Petrobrás em 40 unidades de negócio para desnacionalizá-la, conforme preconizado pelo Credit Suisse First Boston.

Francisco Gros, segundo sua biografia publicada em revista da Fundação Getulio Vargas, voltou ao Brasil como diretor do banco Morgan Stanley com a missão de assessorar as empresas americanas no processo de privatização brasileiro. Gros foi para a diretoria do BNDES (que comandou o processo) e acumulava a direção daquele banco com o Conselho de Administração da Petrobrás. Com a saída de Reichstul, ele assumiu a presidência da empresa e, em discurso em Houston (EUA), logo após a posse, declarou que a Petrobrás passaria de empresa estatal para empresa privada de capital internacional. Nós barramos esse seu intento. Mas outro grande estrago foi feito.

CC: Quanto aos acidentes, o ano começou com o surgimento de outro tema preocupante: a morte de um funcionário, terceirizado, na Bacia de Campos. Desde 95, são 273 mortes, sendo 220 de pessoas ligadas a empresas prestadoras de serviços; em 2008, foram 15 os acidentes fatais. O que pode ser dito desses números e das condições de trabalho dos funcionários, especialmente daqueles que realizam as tarefas de maior margem de risco?

FS: A terceirização é outro problema sério. Faz parte do plano de ataque à integridade da Petrobrás. Além disto, é uma exploração da mão-de-obra de pessoas que, em sua maioria, são usadas para dar lucro a gigolôs de mão-de-obra. Essas pessoas não têm a menor garantia, como encargos sociais, treinamento ou planos de saúde. De modo geral, são contratados via cooperativa ou são obrigados a criar uma empresa para que os encargos sociais e impostos sejam reduzidos.

Lembro que quando o Credit Suisse First Boston coordenou a venda da YPF argentina para a Repsol, antes da privatização, a YPF passou de 37.000 para 7.000 empregados, contratando os demitidos como terceirizados. O mesmo banco entregou ao governo Collor um plano de privatização da Petrobrás. Consistia em vender as subsidiárias e dividir a holding em novas subsidiárias para privatização. Terceirizar era parte do plano.

Collor começou o processo. Itamar Franco, nacionalista, o interrompeu, mas FHC o retomou, tendo elaborado projeto de lei que cria subsidiárias sem ouvir o Congresso e dividido a Petrobrás em 40 unidades de negócio para transformá-las em subsidiárias e privatizá-las. Começou com a Refap do Rio Grande do Sul e pretendia fazer o mesmo com as demais 39 unidades. Parou porque, junto com os dirigentes do Sindipetro-RS, ganhamos uma liminar que suspendeu o processo.

CC: O desligamento do instituto Ethos, pedido pela Petrobrás no final do ano passado, acabou gerando muitas críticas à empresa, que por sua vez também saiu disparando contra os governos de São Paulo e Minas, acusando-os de conspirar contra a imagem da estatal. Ter adiado a adequação do combustível aos padrões ambientais exigidos não consiste em uma atitude negativa para a imagem da empresa?

FS: Há informações da própria Petrobrás de que o Instituto Ethos fazia uma campanha insidiosa contra a empresa. Dizia, por exemplo, que a poluição da cidade de São Paulo era devida ao teor de enxofre no diesel, o que não procede. A poluição é formada por poeira, ozônio e outras partículas. Muito pouco tem a ver com enxofre.

Diz a empresa: `O diretor da Petrobrás classificou de `desinformada e irreal` a crítica de que a empresa não teria se preparado para fornecer o diesel S-50`. Ele destacou os investimentos realizados nas refinarias, no total de US$ 4 bilhões, que permitirão à empresa produzir o diesel. Atualmente, o produto está sendo importado. O diretor ressaltou que somente o fornecimento de um diesel menos poluente não será suficiente para resolver os problemas de qualidade do ar das grandes cidades. Ele chamou atenção para a presença de veículos antigos na frota brasileira, além do tráfego elevado nas grandes cidades, como elementos que devem ser levados em conta. `Não basta só o combustível`, afirmou.

Outra questão é que o Instituto alegava que a Petrobrás não cumpria a resolução 315 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que regulava o teor de enxofre; segundo a empresa, não existe uma resolução do Conama que regule o índice de enxofre no diesel.

`A Procuradora do Ministério Público Federal (MPF), Ana Cristina Bandeira Lins, destacou a iniciativa da Petrobrás em cumprir o acordo com o MPF. Ela esclareceu que a resolução 315 do Conselho Nacional do Meio Ambiente regulamentava as emissões nos veículos com tecnologia P-6, que não estarão disponíveis no mercado brasileiro`.

Lembro que a gestão do PSDB governando o país foi responsável pela quebra do monopólio do petróleo, pela venda de 36% das ações da Petrobrás na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real. Elaborou o projeto de lei e fez com que o Congresso aprovasse a famigerada lei do petróleo (a Lei 9478/97) que contraria a Constituição, dando a propriedade do petróleo a quem o produz. Além disto, fixou a participação da União na produção de petróleo entre 10 e 40%, quando no mundo os países exportadores recebem a média de 84% de participação e os da OPEP, 90%.

O governo do PSDB vendeu a Vale do Rio Doce por valor menor do que um milésimo do valor dos ativos e direitos minerários que ela detinha. Ou seja, o PSDB não gosta da Petrobrás. Nem do Brasil.

CC: Quais são as projeções de investimento para 2009, em meio à queda do preço do petróleo e às expectativas quanto ao pré-sal?

FS: Segundo o presidente Gabrielli, em entrevista ao portal G1, de 22/12/2008, os investimentos de 2009 crescerão de R$ 50 bilhões para R$ 72 bilhões. Entretanto, o planejamento estratégico da empresa, que inclui o pré-sal, ainda não foi fechado, tendo sido adiado para o final de janeiro. A queda atual do petróleo é temporária. O viés é de alta, em face de estarmos atingindo o pico de produção mundial.

Acho até que a atual crise mundial foi triplamente oportuna para os EUA:

1) o dólar estava despencando mundialmente, pois todos os países descobriram que, após a decisão unilateral de Nixon em 71, desobrigando o lastro-ouro para cada dólar emitido, havia US$ 3 trilhões emitidos; e foram emitidos mais 45 trilhões após 71, sem qualquer garantia. A débâcle do dólar quebraria o país (os emitentes de dólar são o Banco Central americano - o FED - e suas 12 filiais – todas privadas). A crise levou os investidores para os títulos do tesouro americano, ressuscitando o dólar;

2) Os EUA importam cerca de 5 bilhões de barris de petróleo por ano. A crise derrubou o preço do barril dando um enorme alívio à sua economia;

3) Os EUA estão montando um esquema de pressão e lobby para obter o pré-sal, tendo até reativado a 4ª frota. Com a queda brutal dos preços esse trabalho fica mais fácil, porque os brasileiros passam a achar o pré-sal inviável e reduzem o interesse e a mobilização em defesa dessa imensa riqueza, cada vez mais estratégica e mais escassa.

CC: Um assunto que parece ainda inevitável para este ano é o que se refere ao atual marco regulatório do petróleo. Será necessária a mobilização popular contra o lobby em favor dos estrangeiros ou o governo poderá dar conta de realizar as alterações desejadas pelos setores mais nacionalistas e prometidas pelo próprio Lula sem essa mobilização?

FS: O governo precisa muito da participação popular na defesa do nosso petróleo. Ele vem sofrendo pressões terríveis contra a mudança do marco regulatório, altamente pernicioso para o país. Há duas fontes poderosíssimas comandando esse lobby:

1) Os Estados Unidos, que consomem cerca de 10 bilhões de barris por ano e só têm 29 bilhões de reservas. O pré-sal representa para eles cerca de 9 anos de consumo;

2) O cartel internacional do petróleo, formado pelas sete irmãs, e que domina o setor há 150 anos com todo tipo de ações pouco recomendáveis, como suborno, deposição e assassinato. Agora esse cartel está vendo ameaçada sua sobrevivência pelo fato de suas reservas minguarem para apenas 3% das reservas mundiais, contra 65% em poder das 8 `irmãs` estatais: Saudi Aramco (Arábia Saudita), INOC (Irã), Petrochina, Petronas (Malásia), Gazprom (Rússia – renacionalizada), Petrobrás, PDVSA (Venezuela) e Pemex (México). O Financial Times publicou matéria que prevê menos de 5 anos de vida ao cartel se a situação de suas reservas permanecer assim. Eles não vão aceitar esta morte facilmente.

Há, portanto, um lobby pesado pela manutenção do marco regulatório, que favorece muito os EUA e o cartel das irmãs. Ocorreram quatro audiências públicas e seminários no Senado Federal em 2008. Cada um com cerca de cinco mesas. Cada mesa com pelo menos dois lobistas. Estavam lá nomes como: João Carlos de Luca, presidente da Repsol (empresa espanhola adquirida pelo banco Santander - braço do Scotland National Bank Corporation, de capital Anglo-Saxão); David Zilberstajn - ex-diretor da ANP, que iniciou os leilões dotando os blocos de áreas 220 vezes maiores que os blocos licitados no Golfo do México; Eloi Fernandes, idem a Zilberstajn; Adriano Pires, lobista do Instituto Liberal, criado pela Shell para ajudar a derrubar o monopólio do petróleo; Jean Paul Prates, idem a Adriano. E muitos outros.

Nós enviamos uma carta ao Senado reclamando nossa participação como contraditório. Numa das audiências nos concederam cinco minutos para falar. O lobby é poderoso.

Gabriel Brito é jornalista; Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania.

Publicado originalmente: (Correio da Cidadania - 20-Jan-2009)

sexta-feira, 1 de maio de 2009

No Dia do Trabalhador, Brasil começa a extrair petróleo da camada de pré-sal



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira, 1º de Maio, Dia do Trabalhador, de solenidade em comemoração ao primeiro óleo extraído no Pólo Pré-Sal da Bacia de Santos. O evento marca o início do desenvolvimento do reservatório de Tupi, o maior já descoberto pela empresa no País, com volume recuperável estimado entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo. O ato terá início às 16h, na Marina da Glória, Rio de Janeiro (RJ).

A avaliação do campo de Tupi é considerada fundamental para a definição de novos projetos e desenvolvimento da produção no pré-sal. Para isso, será realizado em Tupi um Teste de Longa Duração (TLD) com duração de 15 meses, que inclui a análise do comportamento dos reservatórios de produção, da movimentação ou drenagem dos fluidos e do escoamento submarino, entre outras informações. O Teste será realizado a bordo do navio-plataforma Cidade de São Vicente, com capacidade para processar 30 mil barris de petróleo por dia.

Com a conclusão do teste no final de 2010, a Petrobras colocará em operação o projeto-piloto de Tupi, que terá capacidade para produzir e processar diariamente 100mil barris de óleo e 4 milhões de metros cúbicos de gás.

Investimentos

Até 2013 serão investidos US$ 29 bilhões no desenvolvimento da produção do pré-sal, de acordo com a Petrobras. Desse total, US$18,6 bi serão destinados à Bacia de Santos. A previsão da empresa é que em 2013 os primeiros blocos do pré-sal estejam produzindo, em média, 219 mil barris de óleo por dia. Esse volume deverá subir para 1,3 milhão em 2017 e para 1,8 milhão em 2020, só de óleo proveniente desse tipo de reservatório.

Para suprir o mercado com produtos e equipamentos demandados pelo setor de petróleo e gás, a cadeia de fornecedores e a mão-de-obra do País está em processo de qualificação. Em parceria com o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), a Petrobras já treinou 16,7 mil pessoas para atuar na indústria naval. A meta para 2013 é capacitar mais 19,7 mil trabalhadores.