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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Lula pede participação da sociedade nas discussões do pré-sal


Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil



Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o tradicional discurso do aniversário de independência do Brasil para pedir que a população brasileira participe do processo que definirá o modelo de exploração das reservas de petróleo situadas na camada do pré-sal.

“Uma democracia só se fortalece com a participação da sociedade. Por isso se mobilize, converse com seus amigos, escreva para seu deputado, seu senador, para que eles apoiem o que é melhor para o Brasil”, disse o presidente hoje (6) em cadeia nacional.

Lula afirmou que os projetos de lei enviados ao Congresso Nacional vão garantir que esta riqueza seja corretamente utilizada para o bem do Brasil e de todos os brasileiros. “Peço a cada um de vocês que acompanhe passo a passo as discussões destas leis no Congresso. Que se informe, reflita, e entre de corpo e alma nesse debate tão importante para os destinos do Brasil e para o futuro de nossos filhos e netos”, disse.

O fundo social – proposto com o objetivo de garantir que parte dos lucros obtidos a partir da exploração do pré-sal seja aplicada em educação, ciência e tecnologia, cultura, defesa do meio ambiente e combate à pobreza – foi novamente defendido pelo presidente. “Propomos que os recursos do pré-sal sejam colocados em um fundo social, controlado pela sociedade, e que será aplicado, majoritariamente, em desenvolvimento humano”, declarou.

“De um lado, o novo fundo será uma megapoupança, um passaporte para o futuro, que nos ajudará, entre outras coisas, a pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e a pobreza. De outro lado, funcionará como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento de nossa gente”, explicou o presidente.

Lula cobrou responsabilidade dos parlamentares: “O embate e a paixão política fazem parte do universo democrático, mas não podemos deixar que interesses menores retardem ou desviem a marcha do futuro”, argumentou.

E resumiu em duas frases a proposta do governo: “De um lado, ela garante que a maior parte da riqueza do pré-sal fique nas mãos dos brasileiros; de outro, ela impede que qualquer governante gaste de forma irresponsável estes recursos”.

“A história tem mostrado que a riqueza do petróleo é uma faca de dois gumes. Quando bem explorada, traz progresso para o povo. Quando mal explorada, ela traz conflitos, desperdícios, agressão ao meio ambiente, desorganização da economia e privilégios para uns poucos. Assim, alguns países pobres, ricos em petróleo, não conseguiram jamais sair da miséria”, argumentou o presidente.

Para Lula, o modelo de partilha é a grande novidade que consta na proposta apresentada por ele. “Quase todos os países que têm grandes reservas e baixo risco de exploração adotam este sistema. Ele garante que o estado e o povo continuem donos da maior parte do óleo e do gás mesmo depois de sua extração. O modelo de concessão, que foi adotado em 97, não se adapta à nova situação”, disse.

“Seria um erro grave mantê-lo no pré-sal. Ele foi implantado quando não sabíamos da existência de grandes reservas e o país não tinha recursos para explorar seu petróleo”, acrescentou.

“Estamos propondo, também, que a Petrobras seja a operadora de toda área. Ou seja, exerça atividades de exploração e produção, com uma participação mínima de 30% em todos os blocos. Assim saberemos tudo sobre as reservas, aperfeiçoaremos nossa tecnologia e faremos da Petrobras uma empresa ainda mais forte”, afirmou. “Este trabalho será complementado pela Petro-sal, uma nova empresa estatal, enxuta e altamente qualificada, que vai gerir os contratos de partilha e os de comercialização”, completou.

Segundo Lula, a nova empresa não vai concorrer com a Petrobras. “Sua função é ser o olho do povo na fiscalização de toda operação”, disse.

Edição: Lílian Beraldo

sexta-feira, 1 de maio de 2009

No Dia do Trabalhador, Brasil começa a extrair petróleo da camada de pré-sal



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta sexta-feira, 1º de Maio, Dia do Trabalhador, de solenidade em comemoração ao primeiro óleo extraído no Pólo Pré-Sal da Bacia de Santos. O evento marca o início do desenvolvimento do reservatório de Tupi, o maior já descoberto pela empresa no País, com volume recuperável estimado entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo. O ato terá início às 16h, na Marina da Glória, Rio de Janeiro (RJ).

A avaliação do campo de Tupi é considerada fundamental para a definição de novos projetos e desenvolvimento da produção no pré-sal. Para isso, será realizado em Tupi um Teste de Longa Duração (TLD) com duração de 15 meses, que inclui a análise do comportamento dos reservatórios de produção, da movimentação ou drenagem dos fluidos e do escoamento submarino, entre outras informações. O Teste será realizado a bordo do navio-plataforma Cidade de São Vicente, com capacidade para processar 30 mil barris de petróleo por dia.

Com a conclusão do teste no final de 2010, a Petrobras colocará em operação o projeto-piloto de Tupi, que terá capacidade para produzir e processar diariamente 100mil barris de óleo e 4 milhões de metros cúbicos de gás.

Investimentos

Até 2013 serão investidos US$ 29 bilhões no desenvolvimento da produção do pré-sal, de acordo com a Petrobras. Desse total, US$18,6 bi serão destinados à Bacia de Santos. A previsão da empresa é que em 2013 os primeiros blocos do pré-sal estejam produzindo, em média, 219 mil barris de óleo por dia. Esse volume deverá subir para 1,3 milhão em 2017 e para 1,8 milhão em 2020, só de óleo proveniente desse tipo de reservatório.

Para suprir o mercado com produtos e equipamentos demandados pelo setor de petróleo e gás, a cadeia de fornecedores e a mão-de-obra do País está em processo de qualificação. Em parceria com o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), a Petrobras já treinou 16,7 mil pessoas para atuar na indústria naval. A meta para 2013 é capacitar mais 19,7 mil trabalhadores.